segunda-feira, 5 de abril de 2010

20/03/2010 Comodoro rivadávia/ Trelew

Antes das 8;00 h. já estava a caminho da oficina Don Pippo, figura que nunca mais vou esquecer e direi por que: quando notei dias atrás, na estrada, que tinha uma mola quebrada, um pedaço dela estava dependurada pela presilha debaixo do carro. Após indicação no posto, lá estava eu com um pedaço de ferro na mão, diante de um estranho, em país estranho e sem dominar o idioma, pedindo ajuda. Nesses momentos, o que se mais tem em mente é que você está nas mãos do sujeito da oficina. Me apresentei ao Sr. Pippo, um homem de 72 anos, muito simpático, como um brasileiro precisando de sua ajuda. O mesmo me disse, após mandar desmontar, que seria mais razoável trocar a peça inteira, pois a que estava quebrada era adaptada, para sustentar o mH. Preocupado com o preço a ser cobrado, o Sr. disse: fique tranqüilo, vou resolver teu problema, e se não tiveres “plata” resolvo assim mesmo. Ao final, já estando quase montada, paguei cerca de 1400 pesos (700 reais), por um serviço que no Brasil estimamos em R$ 1.000,00 ; isso depois de muita insistência de sua parte p/ que eu seguisse vigem sem pagar, pois não deveria ficar sem dinheiro, e depois já no Brasil, lhe mandasse o pgto.! Pronto! Só vamos ver o outro lado: Ai!!!!, também tinha uma mola quebrada. E agora? -Calma Sr. brasileiro, troco a outra pela metade do preço desta, não vai me cobrir o custo, mas o mais importante é ganhar um novo amigo, e não me pagas agora, senão vais ficar sem dinheiro, para a viagem. Eu tinha pago o 1º. Serviço em dólar, por minha conveniência (US360), e ainda tinha um pouco, acabei pagando mais US180, apesar da insistência do Sr. Pippo em não receber. O Luiz foi testemunha, e se emocionou como eu, da proposta seguinte do Sr. Pippo: “se algum companheiro estiver em dificuldade para conseguir $$, os dólares que vc me deu estão aqui à disposição, é só virem até aqui. Obrigado Sr. Pippo. Tudo isso que acabei de falar aconteceu na ida. Agora na volta cá estou eu para calçar as molas pois o carro ficou baixo; novamente Don Pippo, solícito, disse que resolveria e que nada me custaria, desmontar as molas calçar, curvar e montar, apenas que desse uma “propina” aos funcionários, e que os dólares de alguns dias atrás continuavam ali à disposição dos companheiros que precisassem... Após o almoço, mais deserto, mais retas. Em Trelew, a Cecília procurou por passeios às pinguineiras, mas está fora da temporada, assim como das baleias que é de junho a dezembro. Mais um posto Petrobrás e....boa noite

quinta-feira, 25 de março de 2010

19/03/2010 El Calafate/ Rio Gallegos/ Luiz Pietrabuena/ Comodoro Rivadávia

Acordamos às 7;00 e saímos para a estrada, todos um pouco quietos, acho que é porque iniciamos a volta. Por volta das 9;00 h. decidimos, eu com o Matheus, acelerar mais, ganhando a dianteira até chegarmos a Comodoro, a cerca de 700 km. adiante, uma vez que eu queria resolver o problema da altura das molas ali, e o Matheus comprar os filtros do carro. Deixamos o Luiz e Marsiglia para trás, não parando quase nem para almoçar, já que o dia seguinte era sábado, com a oficina em meio período, e teria que estar lá cedo, ao abrir. Há dificuldade no percurso de se achar postos de serviço, ficando longas distâncias sem eles. Depois de 900 km. Rodados num só dia, com vento, poeira e guanacos, chegamos no mesmo posto de Comodoro em que havíamos pousado dias antes. Só deu tempo de dizer boa noite.

18/03/2010 El Calafate (Perito Moreno)

Embarcamos todos no carro do Matheus e Íris, pois teríamos de voltar a Calafate para seguir viagem. Após mais um pouco de estrada, com folias, chegamos ao Parque, com ingresso a 45 pesos, andamos mais um pouco de mH dentro do parque até um estacionamento, onde se embarca numa van Free, até a entrada dos mirantes. Ao chegar, boquiabertos mais uma vez, o glaciar de perder de vista, com parede de 70 metros de altura, é espetacular, torres de gelo, e entre elas, um tom de azul indescritível, impressionante, parece glacê ou suspiro. Bom...por mais que se tente explicar, não se consegue. Só vendo! Ficamos ali parados em êxtase. Onde estávamos é um mirante numa montanha em frente ao glaciar, separados dele por um vale com um rio ao fundo. Ficamos mais ou menos na altura do mesmo. De repente, se ouve estalos, como se uma lasca gigante de árvore se esteja quebrando. São os blocos de gelo que se rompem e desabam n´água, formando ondas. Maria grita, em contraste com os estrangeiros quietinhos, a não ser alguns argentinos que também se alvoroçam. De volta à van voltamos ao mH, para ir até o embarque do passeio de barco a 4 km. Tal passeio dura cerca de 1 hora; escolhemos o lado sul do glaciar, pois o que se vê dos mirantes é o lado norte. Lá vai o barco de encontro às muralhas brancas e azuis, mas não pode chegar a menos de 300 m., por segurança. Ainda assim, aí é que se tem a exata noção da grandeza e força da natureza, pois agora estamos vendo aquela grandiosidade de baixo para cima, torcendo para que o espetáculo do gelo em pedaços maiores que um caminhão (isso é suposição), se desprendendo da muralha e se lançando abaixo, se repita. E se repetiu: de repente, um estalo e um estrondo, quando vemos, precedida de pedaços menores, uma torre que despenca; maravilhados uns gritam, outros boquiabertos, outros pulam. A torre despenca quase que inteira, e afunda na água como fosse um prédio implodido, levantando-se em seguida, acima da superfície, afundando de novo, formando uma onda. A parte que aparece acima da linha d’agua, é 30% da altura da muralha, ou seja: a massa é estimada em 200m de espessura. Assim terminha o espetáculo para nós. Agora o show vai continuar para outros. Voltamos à casinha, flutuando também, ainda mais que soubemos que há mais uma netinha a caminho, filhinha do Du e da Li. Tchau!

17/03/2010 Puerto Natales/ El Calafate

Saímos de Puerto Natales e já erramos o caminho; íamos saindo pela estrada que chegamos, quando teríamos que pegar a saída para Torres Del Paine. A Cecília deu o alarme e retornamos, pegando o caminho certo. Após um pedaço de estrada ainda no Chile, em Cerro Castillo, passamos pela Aduana Chilena, após 7 km de rípio, chegamos à Aduana argentina, mais 7km de rípio, e pronto! Asfalto de novo! Há que se dizer que o rípio argentino é menos ruim que o chileno. Um pouco de sobe e desce, e chegamos a cidade de El Calafate, que é o nome de uma frutinha da região,experimente o sorvete! De longe parecia um acampamento gigante de empreiteira, com suas casinhas coloridas e baixas, cobertas de telhas de zinco. Chegando mais perto, se atravessa um rio e entra na av. principal, que não sei por que se chama San Martin ( todas av. princ. da argentina têm esse nome). Parece que chegamos a uma rua de Campos do Jordão, muito linda, com lojas de artigos de artesanato em metal e pedras, além de típicos dos nativos, parecendo arte inca. Acho que vimos mais estrangeiros, principalmente europeus, que residentes, nas ruas. É até bonito, ver branquelos alemães, com os bolsos cheios de euros, misturados a mochileiros sem desodorante do mundo todo (mesmo). Tomamos informações na secretaria de turismo, com uma garota falando português, pois já morou no Brasil; Estacionamos ao lado do terminal rodoviário, onde há uma torneira (muito bom!). Passeamos a pé, cambio, mercado, lojinhas, vitrines sofisticadas e...Cama!

16/03/2010 Puerto Natales/

Cedo, bem animados, pegamos a van, com “motorista-guia profissional”, que a princípio me pareceu ser mudo, pois nada falava, nem se apresentou. Depois de um tempo, acabou se soltando um pouquinho; primeiro visitamos um monumento natural (gruta gigante), onde viveu há 12.000 anos o Milodon, um mamífero gigante, parecido com bicho preguiça, em área preservada onde há desenhos rupestres, que não vimos pois era longe. Rumamos à Torres, passando pela casa onde Gabriela Mistral, premio Nobel, inspirou-se para seus poemas. Paisagem indescritível, onde a cor da água dos lagos como a Laguna Amarga, ora parece verde, ora azul, pena que está secando aos poucos, pois não há fonte para abastecê-la como nascentes ou rios; só a chuva quando vem, e a umidade do ar, que é cada vez menor. Passamos outros lagos cada um mais bonito que outro em seus tons variantes de azul. Torres Del Paine, vem do indígena (os há por aqui), e quer dizer Torres Azuis. Granitos gigantes em forma de agulhas, apontando para o céu, cobertos de neve nas encostas, podem ser vistos de muito longe, e difícil de serem alcançados. Após o zigue zague das estradinhas de rípio, chegamos à Portaria do Parque, pagando 45 pesos por pessoa. Mais estradinhas e chegamos num ponto de desembarque, indo a pé até uma “cataratinha”. Difícil foi andar os 150 metros até ela: ventos de “mais de 120 p/ h.”, segundo o guia e segundo as filmagens feitas pelo Luiz. Não dava para andar, o vento nos mandava de volta, jogando pedrinhas em nossos rostos e o óculos da Maria para um lado e as lentes para outro, bem longe. A Bel se segurando na cerca para não voar. O Marsiglia e a Cecília agarrados um ao outro. E o vento cortando todo mundo. Muiiiiittooo BBBOOMMM!!!!! Mais van, e lanche ao ar livre, junto ao camping e hotel na beira do lago Pehue. Lugar maravilhoso, com suas águas cor de prata, refletindo o sol, e as Torres ao fundo, com o vento levantando cristas das ondas que ele mesmo formou, e formando arco-íris. Seguimos mais um pouco até o Lago Grey e seu glaciar que fica um pouco afastado de nós. Gordos de tanta roupa, ponte pênsil sobre o rio Grey, lá vamos nós em busca de mais beleza; encontramos logo, nos picos à volta, claro que com neve! , na praia de pedras redondas, no lago em novo tom de azul, com ice-bergs flutuando ao nosso encontro; até peguei um bocado de gelo! Muita foto e folia, pois o vento nos empurrava, puxava, derrubava. Para ir até o bloco azul mais próximo, tivemos de caminhar um bom pedaço, por sobre pedras pequenas e médias, afundando nossos pés, escorregando muito, e levando “pedradas” do vento. Mas conseguimos!! Exaustos, retornamos pelo dique de pedra, parecendo uma cena de filme, com a caravana fustigada no deserto. Tudo muito bom!! Tudo muito belo!! Apesar das dores nos joelhos, pernas e costas, do frio que matava a Izabel, muitos dormiram na “combi”, terminando o dia na cidade telefonando, lanchando e dormindo numa rua do centro, pois na orla ventava muito. Boa Noite!

15/03/2010 Cerro Sombrero/ San Gregório/ Puerto Natales

O galo cantou às 6;30, porque a balsa sairia 8;30 e tínhamos um pedaço de chão até ela, e queríamos ser os primeiros, para não atrasar a viagem. O dia está frio, mas ensolarado. Pegamos a balsa, já velha conhecida, rodamos mais um pouco e passamos por placas de aviso à beira da estrada: Cuidado! Campo Minado! Vez por outra, tais avisos nos lembram que há alguns anos, Chile e Argentina ficaram em estado de Guerra, que acabou não acontecendo, e houve a intervenção do Papa (acho que o João Paulo II). Até hoje, chilenos e argentos não se bicam muito. Prova disso é o tal rípio para se chegar ao fim do mundo; o território é chileno e o caminho é p/ Argentina. Não há interesse em melhorias. Chegamos à Puerto Natales, paramos em frente ao lago, almoçamos em casa, para depois ir procurar local para pernoite, o que foi fácil, em estacionamento público em frente à baía, com muito cisnes por vizinhos; fomos ao centro, distante 4 quadras à procura do maior tesouro por essas bandas: água para nossas caixas. Há 2 postos na cidade, no Esso nem torneira tem, no YPF esperei por 2 horas, 4 telefonemas a superiores, até finalmente nos ser concedida a água. Enquanto aguardávamos resposta, fui a pé para um lado, visitando o terminal da Marinha, o Quartel do Exército, e um embarcador, sem sucesso; a Maria foi p/outro lado, cerca de 6 quarteirões, também, voltou de mãos secas, o Luiz andou toda vizinhança, sem sucesso também. Finalmente a grande notícia: poderíamos abastecer no YPF. Contratamos uma van para nos levar a Torres Del Paine no dia seguinte, e passeamos na orla, muito bonita em calçadão e bancos, apreciando os cerros à volta, cobertos de neve, paisagem esta que tivemos ao dormir ali, mas, claro com muito vento nos balançando a noite toda. Normal por aqui é vento de 80/90 km por hora. Bom balanço a todos!!

14;03/2010 Ushuaia/ Rio Grande/ Primavera/ Cerro Sombrero

Saímos um pouco antes dos companheiros, pois mesmo após consertarmos as molas do carro, aqui chamadas “elásticos”, o mesmo ficou ainda mais baixo, pegando, às vezes, no chão ao se passar pelos “lomos”, (na volta vamos calçar), afim de andar bem devagar, já que a pista na saída está irregular. Aí então, fomos surpreendidos novamente: Começou chover uma chuva que não era chuva, eram floquinhos de gelo, que chamamos neve, os flocos pequeninos, mas, p/ nós que nunca tínhamos visto, é lindo, nossa! Que maravilha!, está nevando bastante, já tem uns 10 cm, e quanto mais subíamos a serra, mais branco tudo ficava: primeiro os barrancos e as plantas e árvores, mais adiante era um caminhão já bem coberto, pois devia ter passado a noite ali, deve ter nevado bastante de madrugada naquele pedaço; logo após, começamos ver as beiradas do asfalto já brancas, depois, todo o leito, ficando apenas uma linha por onde rodavam os pneus. Paramos várias vezes, para fotos, folia e gritos. Pelo rádio eu falava com os demais que vinham logo abaixo, já que era uma serra que estávamos subindo. Maravilha!!! Agora é o sol, a neve ficou para trás, a emoção é grande e o frio também. Voltamos à Patagônia, deserto, poeira, e...rípio, só 130 km!, parece que a estrada piorou, depois de tanta beleza natural, parece que o deserto fica um pouco sem graça, mas como encanta, os guanacos, os patos, os choikes, os zorros. Vez por outra temos que diminuir a marcha, como se isso fosse possível, buzinar para algum folgado atravessando a maravilhosa pista de rípio! Desta vez, tudo bem com as cazitas, agüentaram o tranco e se acostumaram com o vento. Chegamos ao mesmo “comedor” da ida, com seu dono esquisito e de fala incompreensível para nós, sorte que sua (acho) esposa, nos socorria. Pedimos a janta, que podia ser escolhida num cardápio, desde fosse aquela que havia. Aliás pedimos sem saber direito o que íamos comer, de certo, apenas que havia uma salada de entrada. Depois veio uma sopa de legume (sem s) com carne, boa por sinal. Ficou a dúvida: há prato principal? Não havia, mas ficamos satisfeitos. Boa Noite!!