segunda-feira, 1 de março de 2010

27/02/2010 Valparaiso/ A tragédia. (graças a Deus estamos bem).

27/02/2010 Valparaiso/ A tragédia. (graças a Deus estamos bem). Às 3;40 da madrugada, em sono profundo, fomos acordados por um vento muito forte balançando o mh, o pensamento que veio a mim e à Maria foi: Se aqui está ventando assim, não vou descer mais, pois o carro vai virar, na Patagônia. Agora não é mais balanço, é chacoalho, são pulos, corri p/ o volante p/ ligar o carro e abaixar as sapatas, sem olhar para fora, mas a Maria olhou pela janela e viu que as folhas não balançavam e sim as jamantas e postes de luz. Foi um terror, todos saíram dos carros de pijamas e shorts, os caminhoneiros estavam apavorados, dizendo que aqui há tremores, mas não desse jeito. Havia um clarão ao longe, talvez de um transformador em chamas, que logo se apagou; a partir desse momento todos que estavam no posto e outros que chegavam da estrada ficaram doidos atrás de notícias, via celular, fixo e internet que não funcionavam, a luz acabou, ficando com gerador, os produtos caíram das prateleiras, um extintor também, soltou-se um pouco de reboque da parede, mas a estrutura do posto, restaurante e dependências agüentou bem (estrutura metálica). Corremos para abastecer, pois já se formava fila nas bombas, mesmo às 4 da manhã; nenhuma notícia, até que alguns conseguiram falar ao celular. Os funcionários do posto, estavam até mais apavorados que nós, com os rostos pálidos e olhos assustados.Em meio à confusão e sem notícias, nos recolhemos às casinhas, para aguardar o amanhecer. O que mais nos preocupou naquele momento, foi a impossibilidade de contato com nossos filhos e familiares. Agora são 17;30 do dia 27, aqui está tudo mais calmo, embora tenhamos notícias alarmantes de tsunamis em outros locais, sintamos pequenos tremores de vez em quando, e já enviamos notícias nossas para acalmar os que estão longe e tão perto de nosso coração. As rutas principais foram fechadas (provisóriamente) , bem como os acessos a Santiago (por segurança), onde houve quedas de passarelas e pontes, o Aeroporto só deve atender helicópteros, e pelas notícias não há como se seguir para o sul do Chile. Nos sentimos, apesar de tudo, e lamentando muitas mortes pelo país, agradecidos a Deus por uma série fatos, como o de termos passado pelos Caracoles por 3 vezes em 2 dias, não encontrado parada nem pouso em Viña nem Valparaiso, não ter chegado a tempo em Santiago, não estar abaixo de Santiago, todos esses, locais onde a tragédia foi grande, e estarmos em local bem seguro nesse instante. Nos reunimos pela manhã, e abraçados, decidimos traçar nova rota possível, voltando à Argentina, e provàvelmente, indo p/ o sul por outro caminho seguro. Ainda não será dessa vez que esfriaremos os pés. Obrigado aos parentes e amigos pelo apoio, e estejam certos de que tudo sairá bem, pois estamos com Deus nos guiando. Aos filhos de todos dessa viagem, deixamos nossa bênção, certos de que Deus também os está assistindo hoje e sempre. Tchau!!!!

26/02/2010 Vila Los Andes/ San Felipe/ Llaillay/ Viña Del Mar/ Valparaiso

26/02/2010 Vila Los Andes/ San Felipe/ Llaillay/ Viña Del Mar/ Valparaiso (3990 km rodados) Como não vimos Los Caracoles à luz do dia, resolvemos voltar até lá. Todos no mH do Matheus, câmeras, filmadoras a postos, lá vamos nós! Um zigue zague emocionante, cerca de 19 curvas numa só encosta, parecia uma pilha de caminhões serpenteando como uma cobra, uns sobre os outros, com precipícios à toda volta, montes e neve por cima, segundo a Maria, só estando aqui para sentir, não dá para explicar. Voltamos ao posto, almoçamos e seguimos p/ Viña Del Mar. Não pudemos parar junto ao Pacífico, que muitos não conheciam, de tanta gente que havia, não dava p parar nenhum mH, quanto mais, 4. O Luiz e eu, Alvim, tínhamos o sonho de por o pé no Pacífico. Seguimos p/ Valparaiso depois de procurar um camping em Viña, onde o Matheus já esteve, mas não encontramos. Muito trânsito, porto movimentado, como já estava ficando tarde, resolvemos seguir a Santiago para parar junto ao Aeroporto, deixando p/ molhar os pés mais abaixo no mapa. Naquele momento não imaginávamos que isso seria impossível ao menos nesta viagem. Paramos logo em seguida num posto Copec, para pernoitar aqui mesmo, seguindo viagem a Santiago pela manhã. Isso também não aconteceu. Deixamos para abastecer de manhã, para poder ficar com as caixas dágua cheias, fomos dormir tranqüilos. Boa noite!

25/02/2010Mendoza/ Uspallata/ Cuevas/ Vila los Andes (Chile)

25/02/2010 Mendoza/ Uspallata/ Cuevas/ Vila los Andes (Chile) Às seis e trinta nosso galo amestrado (Luiz) cantou. Ai!! Que sono!! Saímos de Mendoza, claro que depois de nos perdermos como sempre em cidades grandes, com nosso comboio, mas aí vai mais uma vez a mão à palmatória quanto à imagem que temos dos argentinos: perguntado sobre o rumo a se tomar p/ achar a ruta, um amigo, se prontificou e deixou sua mulher no veículo, pegou outro carro seu e nos guiou até a saída da cidade. Gracias, amigo! Mais estrada, com belas paisagens de pequenas propriedades cercadas de cirprestes finos e altos, afim de proteger do vento. Já são 10;30, cerração, outra descida que parece subida, isso é uma constante por aqui, por ilusão de ótica, soltamos o carro, mas ele pede marcha mais forte. Subimos muito, agora em pequenas retas, margeando um vale árido, desértico, com uma grande vala ao fundo, onde corre um rio proveniente do degelo, já que mesmo agora no verão, há neve nos cumes dos “cerros”. Todos sem fôlego, ou pela altitude (já estamos a 2700m), seja pela imponência da natureza, e beleza natura, das rochas em camadas de diferentes cores, seja pela visão indescritível dos picos branquinhos lá em cima. Passamos Uspallata, pequeno centro comercial à beira da estrada, local muito seco nesta época, mas deve ser toda coberta de muita neve no inverno, pois o filme com Brad Pitt, “Sete anos no Tibet” foi rodado aqui. De repente, maravilhados, vimos pela primeira vez, o Aconcágua, maior montanha do mundo fora da Ásia, com seus 6.962 metros, cobertos de neve; entramos num parque à beira da estrada, pagamos ingressos para os não aposentados, seguimos de mH por mais 1500m, a pé, fizemos outros 1500. Querendo ir adiante, só em lombo de mulas, com guias, o que não fizemos. Fotos, fotos e filmes, muito frio, a roupa nova da Bel, toda vermelho, com botas, a Olimpus trip do Matheus, o frio da Cecília, os gritos da Maria, o Nilo chorando de saudade da mulher, tudo nos emocionando demais (estamos a 3.100 m). Lá embaixo um rio barrento (talvez areia), alimentado por riachos branco/azulados vindos dos picos. Fadiga. Gelo dos picos mais perto de nós; Túnel Lãs Cuervas ( 3400m), e....Chile! Após aduanas, onde ficamos retidos bom tempo, pois um de nossos casais, teve problemas com o cão farejador atrás de comidas não permitidas – muito rigor dos chilenos, revistando tudo, até dentro de panelas, gavetas de calcinhas, todos os cantos e tulhas revirados pelo belo labrador e seus colaboradores militares, subiu até em cima das camas, não deixando nada passar. Após multa de cerca de 117.000 pesos (R$ 450,00), descemos os caracoles já ás 21;00, pouco depois de anoitecer. Informados que havia um posto a 20 minutos, rodamos cerca de 50 km serra abaixo, com desvios por obras. Novamente exaustos, bom sono a todos.

24/02/2010 Mendoza

24/02/2010 Mendoza Manhã livre p/ cambio e acerto de rodoar, pneus, lavar roupas, etc. Marcamos com o Henrique do camping um tour para as 14 hs. Dona Marcela, nossa guia, muito atenciosa nos levou a uma bodega de grande porte, uma familiar pequena, numa fábrica familiar de doces e chocolates, outra de azeite, e finalmente numa “finca”, peq. Propriedade, onde se tira o sustento da terra, com cultivo de frutas (ameixas, pêssegos, nozes, cerejas, avelãs, amêndoas, peras, maçãs, uva e muitas mais, além de pratos caseiros, pães, doces....Tudo feito s/ nenhum tipo de agrotóxicos ou químicos. Todos gostaram muito desse passeio. Chegamos de volta às 21 hs. Todos exaustos, que nem tiveram coragem de se aventurar a novo passeio noturno. Bom sono! Mendoza, cercada pela Cordilheira, a está numa região que era deserto, muito árida, ar seco, dias muito quentes no verão; às vezes sopra um vento vindo do Pacífico que corta as Cordilheiras, além de eventuais tempestades com granizo, destruindo a vegetação. Toda a água que abastece as plantações e vindimas vêm do degelo das Cordilheiras, através de canais , diques e comportas, que são controlados através de leis específicas. Na finca que visitamos, a água é fornecida uma vez a cada semana, por 8 hs., sendo controlada p/ servir cada pé de fruta, por escoamento; o fornecimento da água é proporcional ao tamanho da propriedade, sendo que toda a cidade inclusive o Centro, tem valas por onde corre a água da chuva e da cordilheira, que nessa época (verão) ainda conserva gelo nas partes mais altas, além de rios secos, que são valas maiores, para quando há grande volume de água.

23/02/2010Villa Dollores/ Tomo/ São Luiz/ La Paz/ Volcan/ Mendoza

23/02/2010 Villa Dollores/ Tomo/ São Luiz/ La Paz/ Volcan/ Mendoza Saímos às 6;30 , com um dia muito bonito, sem nuvens, aí apareceu um vento forte, interferindo na velocidade de alguns, e balançando todos, depois de 1 h. o mesmo se acalmou; passamos direto por São Luiz, e notamos que a pista é toda iluminada por um bom pedaço de estrada, com postes altos e coloridos, com uma cor diferente a cada km., almoçamos à beira da estrada, pois não há postos de apoio por longos trechos, chegamos a Mendoza já entardecendo, atravessamos a cidade que é muito hermoza, arborizada e limpa, nos causando ótima impressão, sem falar dos parques. Chegamos ao camping Mangrollo, na av. Champagnat, simples, porém bom atendimento, c/ água e luz. Nos instalamos e pegamos o bus até o Centro, conhecemos o parque Independência, e comemos uma parrilla, já muito cansados procuramos, procuramos e procuramos o ponto do bus p/ volta, acabando por pegar um táxi que nos custou 16 pesos, cerca de 8 reais. Boa noite e caminha.

22/02/2010Córdoba/ Carlos Paz, Mina Clavero/ Villa Dolores

22/02/2010 Córdoba/ Carlos Paz, Mina Clavero/ Villa Dolores ruta provinc. 34 (2973 km rodados) Perdemos a manhã, pois o Marsiglia e Matheus tiveram que voltar a Córdoba, atrás de pneus Pirelli, o que não é muito fácil de achar aqui, apesar de ser uma cidade de cerca de 1.200.000 habitantes, segundo os nativos e adivinhem quem foi com eles? Claro que é o Luiz, queimado na noite anterior, por um besouro que é uma praga por aqui (Marsiglia o batizou de 4 em 1), corre como uma barata, voa e parece um besouro, fede como maria-fedida, e queima como taturana, mas os nativos o chamam “juanita”. Finalmente, pegamos estrada após o almoço, no meio do caminho, já no alto da serra a cerca de 1700 m. , com um visual fantástico de vales, paredões de pedra, cachoeiras, cabras, ovelhas espalhadas, e ilusões de ótica que nos davam a impressão de descida, mas os carros nos desmentiam, pedindo marcha mais forte, estamos nas nuvens; 1800m:, Marsíglia se deu conta de que dia era do mês, e que esse dia é muito importante: 35 anos de casado com nossa amiga Cecília: emoção geral, declarações mil, tudo pelo PX. Muitas paradas para abraços e fotos, além da paisagem de perder o fôlego, lembrando que ainda não estamos na cordilheira, é só um aperitivo! Dormimos no YPF de Villa Dollores, muito bem atendidos, embora sem internet, nem TV. Até já!

21/02/1010 La Paz/ Paraná/ Santa Fé/ Córdoba

21/02/1010 La Paz/ Paraná/ Santa Fé/ Córdoba ( já rodamos 2.770 km). Acordamos às seis horas, Maria e Bel, não quiseram nos esperar levantar acampamento, e sairam a pé pela estrada, que é boa, apesar de simples, com campos planos às margens, totalmente alagados por muita chuva, casas cobertas por telhas metálicas, muito baixas, região pobre, policiamento intenso, mas porém sem pressão, aliás com cortesia e respeito, ainda acho que é porque estamos em comboio, adesivado e numerado, pois os guardas ficavam surpresos e sempre perguntavam se estávamos juntos. São 10 horas da manhã, que emoção!, estamos num túnel de 3 km. passando por baixo do rio Paraná, imaginando o poder da água por cima da gente. É emocionante! Os quatro mh, e mais quatro caminhões de brasileiros que conhecemos pelo PX, nos orientando pelo caminho, pois há dificuldade em acertar o itinerário pela cidade de Santa Fé, devido a desvios e trânsito confuso. Íamos parar próximo ao túnel p/ tirar fotos, mas os amigos Litro, Vagarildo e Alemão, nos “proibiram” dizendo: não parem em Santa Fé, é muito perigoso. Entrando na Província de Córdoba já informados de que daqui p/ frente não haverá mais pressão policial, ficamos mais tranqüilos. Chegamos em Córdoba, à tardinha, indo ainda até a Famosa feira de artezanato, fazendo muito sucesso onde passávamos, com mãos abanando, muitos cumprimentos e sorrisos, sendo que mesmo a pé na feira, nos “reconheciam” como brasilenhos. A cidade é antiga e bonita, limpa, porém não pudemos ver mais atrações, por falta de tempo; o povo é gentil e simpático a nós brasileiros, sendo muito solícitos quando pedimos algo. Após sairmos de Córdoba, 3 km adiante: PPUUUMMMM!!!! Belo estouro de pneu do Marsiglia, já parado no Posto onde iríamos pernoitar. E agora? Prá variar, lá vai o Luiz e o Nilo (que está dirigindo com o Matheus), além do Marsiglia bancarem “gomeiros”, na troca. Sem mais jeito, o jeito era ir p/ caminha.